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A importância da vacinação em tempos de pandemia

Além das medidas de higiene, Diretora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) explica a relevância da vacinação

06 de Maio de 2020

O Brasil tem vivido nas últimas semanas mudanças drásticas de comportamento, especialmente, no tocante à saúde e hábitos de higiene. Quando a World Health Organization (WHO), em 11 de março, classificou o COVID-19 como uma pandemia1, medidas de prevenção, como higienização de mãos com água e sabão ou uso do álcool em gel, cobrir o nariz e boca ao espirrar ou tossir, foram tomadas. Além destas, uma outra maneira que pode ajudar a reduzir a sobrecarga no sistema de saúde é a vacinação de gripe.

Neste ano, a campanha de vacinação foi antecipada priorizando os idosos e trabalhadores de saúde, já que a vacinação é uma proteção aos quadros de doenças respiratórias mais comuns, que dependendo da gravidade pode levar a óbito3. Outra preocupação é evitar que as pessoas acima de 60 anos, público mais vulnerável ao coronavírus, precise fazer deslocamentos no período esperado de provável circulação do vírus no país. Por isso, a Campanha Nacional de Vacinação teve o início antecipado em 2020, começando a partir do dia 23 de março.

A Dra. Lessandra Michelin, Diretora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que priorizar os idosos e pessoas que trabalhem na área da saúde contribui para uma melhor triagem e podem contribuir para acelerar diagnósticos. "Há anos a campanha de vacinação contra a gripe é realizada entre os meses de abril e maio. Por conta do número de idosos afetados e dos colegas que estão na linha de frente, a campanha foi adiantada. A priorização destes públicos, mesmo diante da não eficácia da vacina de Influenza contra a COVID-19 é uma forma de auxiliar os profissionais de saúde a descartarem as gripes no momento de triagem do paciente e contribuir para antecipar um diagnóstico para o coronavírus", afirma a infectologista.

Do ponto de vista epidemiológico, as crianças são consideradas multiplicadoras de vírus respiratórios e, por isso, o Programa Nacional de Imunizações distanciou um público do outro. Serão duas semanas de intervalo entre uma fase e outra. Na segunda fase, que começou dia 16 de abril, entraram os professores, profissionais das forças de segurança e salvamento, além dos doentes crônicos. E a partir de 9 de maio, serão vacinadas as crianças de seis meses a menores de seis anos (5 anos, 11 meses e 29 dias), pessoas com mais de 55 anos, gestantes, mães no pós-parto (até 45 dias após o parto), população indígena e portadores de condições especiais. A campanha seguirá até o dia 6 de junho em São Pedro na UBS do Bairro São Dimas e na UMIS (Unidade Mista de Saúde).

A infectologista ainda reforça a importância que cuidadores e profissionais de saúde orientem os idosos para que aproveitem à ida ao posto de vacinação ou à clínica particular para atualizar a caderneta de vacinação contra pneumonia. "As doenças causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae (pneumococo) são conhecidas como doenças pneumocócicas. Entre as mais graves está a pneumonia - além da meningite e bacteremia (presença de bactéria do sangue), que é uma infecção que afeta os pulmões e pode ser provocada por vírus, bactéria ou fungos. Os sintomas característicos são tosse, febre e dificuldade de respirar. Por isso, é importante se vacinar também contra esta enfermidade.", explica Dra. Michelin.

O Brasil dispõe de três vacinas que oferecem proteção contra as doenças pneumocócicas:

• A vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente4 é indicada em bula para crianças a partir de 2 anos que apresentem maior risco de ter doença pneumocócica e adultos com idade igual ou superior a 50 anos. Está disponível gratuitamente para pacientes com comorbidades que aumentam a susceptibilidade à doença nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs) distribuídos pelo país5 e também no sistema privado de saúde.

• A vacina pneumocócica conjugada 13-valente6 é licenciada para lactentes, crianças e adolescentes até 17 anos e 11 meses de idade. Para adultos com 18 anos ou mais, para a prevenção de doença pneumocócica, e para indivíduos com 50 anos ou mais, de acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)7. Lembrando que esta vacina está disponível para pacientes com HIV, neoplasias e transplantados nos CRIEs8.

• A vacina pneumocócica conjugada 10-valente está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), nos CRIEs e em clínicas privadas de vacinação para crianças de 6 semanas a 5 anos de idade9.

"Dados sobre a relação entre a gripe e as doenças pneumocócicas apontam que a imunização simultânea pode reduzir os casos de internação e óbitos. Por isso, neste momento é muito importante que a população adote todas as medidas necessárias de prevenção. ", finaliza a médica.  

Grupos prioritários das outras fases já atendidas, como idosos com 60 anos ou mais, trabalhadores da saúde, profissionais das forças de segurança e salvamento, pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, caminhoneiros e profissionais de transporte coletivo (motorista e cobrador), que ainda não foram vacinados também podem procurar a Umis, localizada na rua Odila Vaio,  648, Recanto das Águas.

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